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Entrevista com o faixa preta de jiu-jitsu Kiki Melo

Em entrevista concedia ao site, o faixa preta da Nova União Kiki Melo, 35, conta sua trajetória no jiu-jitsu, o trabalho desenvolvido em Lausanne e declara toda admiração ao pai, Cosmo Dias. Confira:

NP: Fale do seu trabalho com o jiu-jítsu na Suíça?
KIKI: Hoje eu desenvolvo um trabalho na cidade de Lausanne, na Suíça. Estou bem feliz com os resultados. Acredito que venho contribuindo de uma forma muito positiva para o desenvolvimento do jiu-jitsu aqui. Morar fora me proporciona a oportunidade de entender uma nova cultura ,aprender uma nova língua ,fazer amizades e realizar sonhos . Recentemente abrimos mais uma filial na Bósnia e cada dia que passa vamos ganhando nosso espaço. Também tenho um aluno chamado Juancho, na cidade de Puerto Ordaz , na Venezuela.

NP: Quais os projetos para o segundo semestre de 2016?
KIKI: No segundo semestre pretendo participar de mais competições, algo que voltei a fazer recentemente e estou muito motivado para voltar a lutar. Vou continuar trabalhando muito, para que a nossa academia cresça cada vez mais e quem sabe ir ao Brasil ver minha família, amigos e aprender jiu-jitsu com amigos.

NP: Como surgiu a oportunidade de morar no exterior ?
KIKI: A oportunidade foi através do Neto Cortez, ele abriu as portas para mim na Venezuela, isso é algo que serei eternamente grato. Depois eu ganhei o mundo, até hoje sigo viajando levando comigo o que aprendi nesses 30 anos de jiu-jitsu e buscando fazer as pessoas mais felizes através do jiu-jitsu.

NP: Fale de sua rotina na Suíça.
KIKI: Tive que me adaptar a Suíça, senti muito devido ao longo tempo de frio aqui e também a cultura diferente. Hoje estou bem adaptado. Dou aula segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira, nos horários de 12h e 19h, no sábado às 17h. Terça-feira e quinta-feira eu tiro um tempo pra mim e também para os treinos.

NP: O que o jiu-jítsu representa na sua vida ?
KIKI: Jiu-Jitsu é minha vida e minha vida é o jiu-jitsu. Digo sempre que o jiu-jitsu que me escolheu. Eu vejo o Kimono como minha segunda pele, já são 30 anos fazendo a mesma coisa e quero poder fazer a vida toda. Tudo que tenho e sou , devo ao jiu-jitsu, eu durmo e acordo pensando em jiu-jitsu. Se hoje tenho uma vida melhor, se conheço o mundo e a quantidade de amigos que tenho espalhado pelo mundo, devo isso ao jiu-jitsu . Busco ser sempre grato, tentando passar tudo que aprendi, de uma forma honesta e muito verdadeira . Acredito que o esporte ajudou a moldar o homem que sou hoje, sendo pontual ,respeitador, batalhador, sabendo que não somos nada sozinho, sabendo valorizar o próximo e respeitando a nossa casa que é o tatame. Sempre digo que devemos deixar o jiu-jitsu fazer parte da nossa vida e assim seremos pessoas mais felizes.

NP: Seu pai ê um dos maiores nomes do jiu-jítsu no Amazonas. Fale do Seu Cosmo Dias.
KIKI: Meu pai é o maior exemplo de pessoa. Pai, amigo e atleta. Eu não conheço e nunca vou conhecer alguém como ele, que ame tanto o nosso esporte e que viva de uma forma tão plena como ele. Sempre que nos falamos , eu agradeço por ele ter me dado esse oportunidade de conhecer o Jiu-Jitsu e de mudar a nossa vida. Um pai que nunca precisou gritar dentro de casa, porque os seus exemplos valem mais que tudo. Um atleta que tá sempre disposto a aprender, treinar e ajudar os amigos nos treinos. Às vezes me pergunto se ele nasceu em uma época certa ou errada, porque se ele tem 25 anos, não tenho dúvida que seria o maior lutador de todos os tempos , porém, tudo é no tempo de Deus. Tenho a certeza que ele é um grande exemplo, nosso “samurai da Amazônia”.

NP: Quais os títulos conquistados como lutador
KIKI: Fui seis vezes campeão Osvaldo Alves, quatro vezes campeão Amazonense , campeão Brasileiro CBJJ 98, campeão mundial 2000 IBJJF, campeão Paulista 2000, campeão Mundial 2001 IBJJF, campeão Copa do mundo de 2002, campeão Copa do mundo 2003, campeão Norte Nordeste 2003, campeão Copa do mundo 2004, campeão Brasileiro de luta olímpica 2001, bi- Campeão do Bitet Combat “MMA” e campeão do Open Zurich 2016.

NP: Você vem de uma família apaixonada por jiu-jítsu , Fala dessa relação de vocês com a luta.
KIKI: Acredito que nosso primeiro presente foi o Kimono e o jiu-jitsu é nossa vida. Não tínhamos muitas escolhas na nossa casa, por isso, digo que somos abençoados, porque muito novo o jiu-jitsu nos escolhe para caminharmos juntos. Hoje meus irmãos desenvolvem um grande projeto no nosso bairro Alvorada 1, levando a mesma oportunidade as crianças do bairro e quem sabe não teremos outros grandes atletas. Nossa maior meta é termos pessoas de bem e que possam dar continuidade ao jiu-jitsu.

NP: Você se sente realizado ou ainda falta conquistar algo ?
KIKI: Eu sou realizado. Tenho tudo que uma pessoa pode desejar e isso através do esporte . Mas ainda quero realizar muitas coisas, poder seguir contribuindo para o crescimento do esporte, também em breve vou sair para filmar um documentário sobre o jiu-jitsu , algo que não posso falar muito. Hoje busco ajudar as pessoas , para que elas tenham uma vida melhor que a minha. Ainda quero poder dar a volta ao mundo com meu Kimono.

NP: Conte um fato marcante no jiu-jitsu.
KIKI: Tenho muitas histórias, até porque estou há muito tempo no esporte. Mas, o dia que peguei a faixa preta foi especial. Eu morava na academia e um amigo me chamou para dormir na casa dele. Nesse dia ia ocorrer a seletiva para o campeonato Mundial, onde escolheriam os melhores da Nova-União. Eu tinha acabado de pegar a faixa marrom e não teria a seletiva pra mim, então aproveitei para dormir um pouco mais. O Dede Pederneiras me ligou e disse para eu ir na academia fazer a seletiva . Eu estava cansado e voltei a dormir . Dede liga de novo e me brigou. Então, eu fui para academia e ele me chama no meio do tatame. Fiquei sem entender e quando vi ele amarrou a faixa preta na minha cintura . Fiquei perdido e sem saber o que fazer, porque eu só tinha 25 dias de faixa marrom. Lutei o campeonato Mundial de 2001 e finalizei todo mundo, fechei a categoria com um companheiro de equipe. Foi um momento muito especial, porque quando eu tinha 15 anos, eu falei ao meu pai que com 19 ou 20 anos eu seria faixa preta e na minha época não era normal e muito menos ficar tão pouco tempo em uma faixa. Acreditei , trabalhei muito e consegui.

NP: Fale das dificuldades que enfrentou.
KIKI: Dificuldades foram muitas, até porque venho de uma família pobre , mas meu pai e meu professor Nonato Machado nunca me deixaram faltar nada. Também tive grandes amigos que me ajudaram, Nyton, Allan Kardec, Marcos Loro, Dr Waldir, tia Denize e tio Arlindo,Tia Rosa e Tio Hamilton. Mas acho que minha maior dificuldade foi ir embora de casa, morar sozinho no Rio de Janeiro e com pouco dinheiro. Apesar da vida simples que eu tinha em Manaus, eu tinha amigos e família perto, já no Rio de Janeiro tudo era mais difícil. Foram anos que amadureci muito como pessoa e atleta.

Por: Greici Fernandes

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